quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Alert


Nome oficial: Alert
Base militar do: Canadá
População: 5 (permanentes), 67 (temporários)
Idioma: inglês, francês

Sem dúvidas, direto ao ponto: Alert é o local habitado por seres humanos mais ao norte do mundo. Não confunda com cidade. A cidade mais ao norte do mundo é Longyearbyen, no arquipélago de Svalbard. Alert fica na ilha mais ao norte do Canadá, Ellesmere, bem também ao norte da ilha, a somente 817km do Pólo Norte. O nome do local foi dado devido ao navio HMS Alert, que passou o inverno a 10km de onde hoje se encontra a base. A maioria dos habitantes é temporário e lá ficam locais de recepção de sinais militares de inteligência, também sendo local de uma estação meteorológica do equivalente ao ministério do meio ambiente canadense. Em Alert se encontra o aeroporto mais ao norte do mundo (somente militar, o aeroporto comercial mais ao norte do mundo também é o de Longyearbyen).


Qual a história do lugar?
Como mencionado, o nome vem do navio HMS Alert, que passou o inverno de 1875-1876 a 10km dali. O capitão do navio, George Nares, com sua tripulação, foram os primeiros a chegar na parte norte da ilha Ellesmere. A estação meteorológica foi estabelecida em 1950 e a base militar em 1958. Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, Charles Hubbard começou a fazer com que os Estados Unidos e o Canadá se interessassem pelo estabelecimento de uma rede de estações no Ártico. Seu plano, em uma grande perspectiva, visava o estabelecimento de duas estações principais, uma na Groenlândia e outra no arquipélago ao norte do Canadá, que poderiam ser atendidas por meio marítimo. Essas estações principais seriam bases avançadas para servir várias outras menores que seriam estabelecidas por meio aéreo.


Os planos, de imediato, contemplavam o estabelecimento somente de estações meteorológicas, mas foi sentido que um sistema de estações meteorológicas também proveria um núcleo de transporte, comunicações e alojamento que poderiam em muito ajudar programas de pesquisa em muitos outros campos da ciência. Foi reconhecido que uma decisão final iria depender de cooperação internacional, uma vez que envolviam locais sob controle canadense e dinamarquês.


Desastres também ocorreram. Nove membros da tripulação de um avião da Força Aérea Real Canadense morreram ao tentar jogar suprimentos do ar em Alert em 1950. Charles Hubbard, o idealizador do local, estava no voo e morreu, hoje está enterrado no local que ajudou a criar. Em 30 de outubro de 1991, um Hercules C-130 caiu a 30km da pista de pouso. Dos 18 a bordo, quatro morreram no acidente, enquanto o piloto morreu nas 30 horas que as equipes de busca e resgate demoraram para chegar ao local sob condições terríveis de nevasca. O acidente foi tema de vários livros, incluindo Morte e Libertação: A História Real de um Acidente de Avião no Pólo Norte, de Robert Mason Lee, assim bem como o filme Pesadelo no Ártico, de 1993, estrelando Richard Chamberlain. Veja o trailer abaixo:


Acontece alguma coisa por lá?
Não muito. Em abril de 2006, a Canadian Broadcasting Corporation, que faz as operações de rádio, comunicou que os custos para o aquecimento da estação haviam aumentado. Em consequência a isso, os militares canadenses propuseram cortes para manter os empregos, utilizando-se também de investimentos privados. Também no mesmo mês a tocha dos Jogos do Canadá de 2007 passaram por Alert. Em agosto de 2006, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, visitou Alert como parte de sua campanha para promover a soberania do Canadá no norte. A tocha olímpica também passou por lá, a caminho das Olimpíadas de Inverno de Vancouver em 2009.


Alert fica na beira do Mar de Lincoln, coberto de gelo. A base fica a somente 817km do Pólo Norte. A cidade canadense mais próxima é Iqaluit, a capital do território de Nunavut, a 2.092km de distância. O local é cercado por montanhas e vales. O solo é composto de ardósia e xisto. Normalmente o mar fica coberto de gelo durante a maior parte do ano, mas no verão ele se retrai durante um período, deixando o mar aberto. A evaporação é muito baixa, pois as temperaturas só ficam acima do ponto de congelamento durante os meses de julho e agosto. Os dois outros locais habitados na ilha Ellesmere são a também base de Eureka e a comunidade inuit (de nativos) Grise Fiord, a 800km de Alert.


Como é o clima de lá?
Alert possui clima polar. Faz muito frio, e há neve por dez meses no ano em média, algumas vezes a neve cai durante o ano inteiro. O mês mais quente, julho, tem temperatura média de 3,3°C. Somente nos meses de julho e agosto a temperatura é maior que a de congelamento. Alert é também um local muito seco, tendo em média 153mm de precipitação ao ano. A maior parte dela ocorre durantes os meses de julho, agosto e setembro, na forma de neve. Normalmente há bem pouca neve fora desse período, com setembro sendo o mês com maior precipitação de neve. Fevereiro é o mês mais frio do ano. Por estar ao norte do Círculo Polar Ártico, a noite polar (quando o sol nunca nasce) ocorre em Alert de meados de outubro até o final de fevereiro, e o sol da meia-noite (quando o sol nunca se põe) da primeira semana de abril até a primeira semana de setembro.


Temperaturas em Alert, o topo do mundo:
MêsMáxima recordeMáxima médiaMédia diáriaMínima médiaMínima recorde
Janeiro0,0°C-28,8°C-32,4°C-35,9°C-48,9°C
Fevereiro1,1°C-29,8°C-33,4°C-37,0°C-50,0°C
Março-2,2°C-28,7°C-32,4°C-36,1°C-49,4°C
Abril-0,2°C-20,5°C-24,4°C-28,2°C-45,6°C
Maio7,8°C-8,7°C-11,8°C-14,9°C-29,0°C
Junho18,2°C1,6°C-0,8°C-3,2°C-13,9°C
Julho20,0°C5,9°C3,3°C0,7°C-6,3°C
Agosto19,5°C3,3°C0,8°C-1,8°C-15,0°C
Setembro11,2°C-6,0°C-9,2°C-12,2°C-28,2°C
Outubro4,4°C-15,8°C-19,4°C-22,8°C-39,4°C
Novembro0,6°C-22,8°C-26,4°C-30,0°C-43,5°C
Dezembro3,2°C-26,4°C-30,1°C-33,7°C-46,1°C


Como chegar lá?
Não existe nenhum modo de se chegar a Alert. O aeroporto é propriedade da Força Aérea Canadense e só pode ser utilizado com permissão dos militares. Não existe qualquer voo para lá com civis ou companhias aéreas, somente alguns charters esporádicos com cientistas, normalmente no verão, nos quais turistas não são bem-vindos. Visitantes de qualquer espécie não são permitidos. Em Alert não há qualquer infraestrutura para turistas, somente os alojamentos militares. Os empregados civis do serviço de meteorologia também usam o alojamento militar. O local possui um lema na língua nativa dos inuit, que habitam o norte do Canadá: "Inuit Nunangata Ungata", ou seja "Terra além da Terra do Povo" e é bem apropriado uma vez que os próprios inuit não vivem tão no norte. Um militar que serviu em Alert diz que em algumas viagens que fez ao local, havia alguns trabalhadores inuit com os militares, mas eles se sentiam desconfortáveis de estar em Alert, por ser tão no norte além das terras deles. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Llanfairpwllgwyngyll


Nome oficial: Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch
Cidade do: País de Gales, Reino Unido
População: 3.040
Idioma: galês, inglês

Sim, é verdade. Para quem achava que nome do vulcão islandês Eyjafjallajökull era impronunciável, eis um lugar no qual pronúncia é algo complicado (como pronunciar quatro letras 'L' juntas?). Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch (chamarei daqui em diante de Llanfair) é uma cidadezinha na ilha de Anglesey, no País de Gales. O vilarejo possui o maior nome da Europa e um dos mais longos do mundo (sim, você leu certo, não é nem o maior do mundo!). O nome abreviado do local é Llanfairpwllgwyngyll. É também normalmente chamado de Llanfair PG ou Llanfairpwll.

Vamos tentar pronunciar? Ouça um nativo falando esse nome.


E o que quer dizer esse nome?
Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch é uma palavra galesa que pode ser traduzida como "A Igreja de Santa Maria no Vale da Avelã Branca Perto de um Redemoinho da Corredeira e da Igreja de São Tysilio Perto da Caverna Vermelha". O nome foi dado através de uma jogada de publicidade na década de 1860 ao misturar os nomes Llanfairpwllgwyngyll ("A Igreja de Santa Maria no Vale da Avelã Branca), com o lugarejo próximo Llantysilio Gogogoch ("a igreja de São Tysilio da caverna vermelha"), e colocando o chwym drobwll ("redemoinho da corredeira") entre eles. Era o maior nome em um país de língua inglesa, mas foi desafiado por Llanfynydd (que mudou seu nome para algo ainda maior) e uma outra estação de trem também em Gales, mas nenhum dos dois ganhou reconhecimento oficial. O maior nome do mundo é de uma colina na Nova Zelândia, do idioma maori, com 85 letras: Taumatawhakatangihangakoauauotamateapokaiwhenuakitanatahu.


O que tem pra se fazer e como se chega lá?
Tirar uma foto na imensa placa da estação de trem, se ela couber no enquadramento da câmera. É o que basicamente os turistas fazem. Além do trem (que te deixa diretamente no grande cartão postal da cidade), pode-se chegar na cidade facilmente de carro, ela fica em uma ilha mas é conectada ao restante de Gales por duas pontes (uma delas na foto acima). É possível subir no Pilar da Marquesa de Anglesey, para ter uma vista do alto da região, e envie um postal: o nome inteiro da cidade está no carimbo do correio, e é o melhor souvenir para mandar a alguém. O maior aquário marinho de Gales fica aqui, o Anglesey Sea Zoo, recriando os habitats de fauna e flora da região de Anglesey e litoral norte de Gales. Existe uma loja de souvenirs ao lado da estação de trem.


Qual a história desse lugar?
Um vilarejo existia nesse local desde o neolítico, com agricultura de subsistência e a pesca sendo as ocupações mais comuns por muito tempo. A ilha Anglesey só podia ser alcançada de barco, e foi invadida e capturada pelos romanos, depois abandonada e mantida novamente até o final da Roma Britânica. Com a retirada das forças romanas, a região ficou sob controle do Reino de Gwynedd, um antigo reino medieval. Sob esse sistema feudal, os moradores trabalhavam em pequenas fazendas para o rei. A natureza rural do vilarejo indicava que a população era de aproximadamente 80 pessoas.


Entretanto, com a introdução das propriedades no século 16, grande parte das terras foi absorvida no Condado de Uxbridge, atualmente sob a jurisdição da Marquesa de Anglesey; os habitantes se tornaram fazendeiros inquilinos e a população cresceu muito, contabilizando 385 pessoas no censo de 1801. Em 1826, Anglesey foi ligada ao restante de Gales com a construção da ponte suspensa de Menai, e conectada a Londres em 1850 com a construção da ponte Britannia e da ferrovia North Wales Coast que liga Londres ao porto de Holyhead. O vilarejo se decentralizou, dividindo-se em Vilarejo Superior (Pentre Uchaf), onde ficavam as antigas casas e fazendas, e o mais novo Vilarejo Inferior (Pentre Isaf), construído ao redor da estação de trem, consistindo mais de locais comerciais. O vilarejo se tornou um centro de comércio, com a ferrovia trazendo trabalhadores e produtos do norte de Gales. A primeira reunião do Instituto das Mulheres aconteceu em Llanfairpwll em 1915 e o movimento (originário do Canadá) de lá se espalhou para o resto das ilhas britânicas.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Bahrein


Nome oficial: مملكة البحرين (Reino do Bahrein)
Arquipélago independente no: Golfo Pérsico, Oriente Médio
População: 1.047.000
Idioma: árabe

O Reino do Bahrein é um arquipélago no Oriente Médio, localizado no Golfo Pérsico, envolto em uma parte do mar tendo de um lado a Arábia Saudita e, do outro, o Qatar. É considerado um oásis do liberalismo social - ou pelo menos são moderadamente amigáveis aos ocidentais - dentre os países muçulmanos da região. É um local popular entre os turistas por ser "genuinamente árabe" e não ter aplicação estrita da lei islâmica sobre a minoria não-muçulmana. Para exemplificar, bebidas alcoólicas são legais no Bahrein. Apesar de possuir uma economia baseada no petróleo, sua cultura transformou o país em uma meca de consumo, fato esse que ajudou o local a desenvolver uma classe média bem cosmopolita que não existe em outros países vizinhos, onde uma pequena minoria é milionária e as massas vivem a nível de subsistência.


O que é e como é Bahrein?
O Bahrein é o menor dos países independentes do Golfo Pérsico, e sempre andou na corda bamba no que diz respeito às relações diplomáticas com seus vizinhos. O país possui algumas reservas de petróleo, mas se estabeleceu como base de refinarias e também de bancos internacionais, ao mesmo tempo conseguindo ser uma monarquia social-liberal (pelo menos para os padrões do Golfo Pérsico). Sua economia depende muito de um pequeno número de sauditas interessados em entretenimento, não existente devido às estritas leis islâmicas do Reino da Arábia Saudita.


A capital do Bahrein é Manama, e possui 155 mil habitantes, sendo a maior cidade do país. As Ilhas Hawar, um destino turístico para os amantes de natureza, apesar de serem muito mais próximas do Qatar, fazem parte do Bahrein após uma longa disputa pela soberania das ilhas entre os dois países. O Bahrein possui clima tropical desértico e é famoso por suas praias. Os invernos no Bahrein são secos e as temperaturas de dia ficam em torno dos 21°C e em média 12°C à noite. A primavera e outono são bem agradáveis, com tempo seco e noites que refrescam até os 15°C após dias de 29°C ou 30°C. O verão é muito quente no Bahrein, com as temperaturas durante o dia variando entre os 35°C a 43°C, e as noites entre 23°C e 26°C.


E os conflitos que andaram ocorrendo?
O Bahrein participou da ação militar contra o Talibã em outubro de 2001, em sequência aos atentados terroristas nos Estados Unidos, colocando à disposição uma fragata no Mar da Arábia para operações de resgate e humanitárias. Em resultado a isso, em novembro daquele ano, o presidente americano George W. Bush designou o Bahrein como "um grande aliado fora da OTAN". O Bahrein se opôs à invasão do Iraque e ofereceu asilo a Saddam Hussein nos dias anteriores à invasão. As relações melhoraram com o vizinho Qatar após a disputa com as Ilhas Hawar ter sido resolvida na Corte Internacional de Justiça em Haia em 2001. Após a liberalização política do país, o Bahrein negociou um tratado de livre comércio com os Estados Unidos em 2004.


Inspirados pela Primavera Árabe que ocorria na região, grandes protestos começaram no Bahrein no início de 2011. O governo inicialmente permitiu que os protestos ocorressem após uma perseguição aos manifestantes. Um mês depois o governo pediu ajuda da Arábia Saudita e de outros países do Golfo, declarando estado de emergência por três meses. Desde então o governo começou uma perseguição à oposição, levando a milhares de prisões. Confrontos quase diários com as forças do governo e os manifestantes levaram a dezenas de mortes. Os protestos, algumas vezes liderados pelos partidos da oposição, ainda continuam.


Como chegar lá?
Cidadãos portugueses podem conseguir um visto por 14 dias na chegada ao Bahrein. Brasileiros necessitam de visto antecipado, necessitando de carta-convite primária feita pelo hotel ou pessoa que irá lhe hospedar no Bahrein. De posse desse documento e da solicitação antecipada, o visto é concedido no desembarque no Bahrein. Tenha o Certificado Internacional de Vacinação contra a febre amarela, realizado nos aeroportos internacionais do Brasil, gratuitamente. O Aeroporto Internacional do Bahrein fica em Murraraq, bem próximo à capital Manama. É a base principal da companhia aérea Gulf Air, possuindo excelentes voos de conexão para toda a região do Golfo Pérsico e Europa. O aeroporto possui boas opções de duty free para os que esperam por voos. Saindo o Brasil, a recomendação é voar com a Qatar Airways até Doha (Qatar) ou com a Emirates para Dubai (Emirados Árabes Unidos) e de lá fazer conexão para o Bahrein, um voo realmente curto. É proibido tirar fotos no interior do aeroporto.


É fácil andar por lá?
Não muito. De táxi, os taxímetros parecem estar sempre "quebrados", cobertos por algo, não estão no lugar ou simplesmente não existem, então nessa modalidade sempre é necessário combinar o preço antes da corrida. E prepare-se para os taxistas cobrando preços absurdos. Após um acordo feito em 2008, a maioria dos taxistas resolveu usar o taxímetro, mas é possível que você encontre um espertinho. Sempre que estiver viajando do/para o aeroporto, use os táxis com teto vermelho e branco ou os táxis "londrinos". Existe uma regra também de que, se o taxímetro não foi usado, nada pode ser cobrado. Se você insistir nisso e chamar a polícia, o taxista rapidamente vai fazer a cobrança do valor correto. Os ônibus públicos existem para várias localidades da ilha, mas entender o sistema é muito confuso para visitantes devido à falta de tabelas de horários e mapas. Alugar um carro é um bom sistema para se conhecer a ilha, mas carros alugados não podem cruzar a fronteira para a Arábia Saudita.


O que tem pra se ver lá?
Bahrein possui alguns fortes: o Qala'at al-Bahrain fica a uns dez minutos de carro de Manama, reformado e em boas condições. Ao lado fica um museu que mostra os vários períodos islâmicos na ilha. Em Muharraq existem dois fortes, um deles é o Arad, do século 16, construído pelos árabes e conquistado pelos portugueses em 1559. Bahrein possui muitos museus, basicamente sobre a história e cultura islâmica do país. As praias do Bahrein possuem geralmente águas claras e bem calmas, as temperaturas são sempre altas e até mesmo no inverno é possível frequentar as areias do Golfo. A Árvore da Vida é especial por estar sozinha no meio do deserto em meio a poços de petróleo, só sendo possível chegar lá de carro. Existem vários sítios arqueológicos da Pré-História no Bahrein, incluindo o maior cemitério pré-histórico do mundo.


Qual o custo de vida pra um turista lá?
A moeda do Bahrein é o dinar, dividido em 1.000 fils. O dinar é uma das moedas mais fortes do mundo e a taxa de câmbio frente ao real brasileiro de hoje era de 1 dinar = R$ 5,41. Assim como a maioria dos países do Golfo Pérsico, o Bahrein não é um lugar barato. O custo vem aumentando, e um jantarzinho sai por uns R$ 25 e o aluguel de um automóvel sairá por entre R$ 60 a R$ 120 ao dia. Pode parecer bom, mas o problema é com a hospedagem. Um hotel "simples" tem diárias de R$ 550. Não viaje pelo Bahrein durante o GP de Fórmula 1, pois os preços quadriplicam. Um quarto no bom Gulf Hotel nesse período pode sair mais de R$ 1.600 a noite.


Como é o trabalho lá?
A maior parte da população do Bahrein é estrangeira (em torno de 62% do total). Uma minoria dos estrangeiros trabalha no setor financeiro, mas a maioria deles são trabalhadores braçais, policiais, motoristas e artesãos de classe social inferior com salários muito ruins. As condições de trabalho para essas pessoas são péssimas e existem frequentes acusações de "escravidão moderna" no país. Vários subsídios que eram pagos aos estrangeiros no passado hoje não existem mais, como moradia, planos de saúde, voos para casa uma vez por ano etc. O grande problema dos estrangeiros é a dívida. A economia do Bahrain é estruturada de tal forma a encorajar que os estrangeiros vivam no limite de sua renda mensal, sendo quase impossível juntar algum dinheiro. Existem processos na justiça contra estrangeiros que resultam em uma proibição mundial de viajar em questão de minutos se não pagarem suas dívidas. Dessa forma, o contrato de trabalho é cancelado e eles não podem pagar as dívidas ainda mais. Existem relatos de estrangeiros que ficaram "presos" no Bahrein por causa desse dilema e vários morreram no país sem conseguirem sair para fazerem tratamento médico, pois não conseguiram também ter acesso ao sistema de saúde do Bahrein.


O que um estrangeiro deve observar nos costumes?
O Bahrein é uma nação que recebe bem o turista mas é obrigatório mostrar respeito e cortesia em referência às práticas culturais e religião deles em todos os momentos. Quando estiver andando em locais abertos onde existem outros árabes, é recomendável usar calças longas ou bermuda, e mulheres nunca devem usar um vestido que deixe qualquer coisa transparente ou à mostra. Entretanto, em clubes de praia e hotéis, trajes de banho, biquínis e bermudas são tranquilos de serem usados. Nunca mostre sinais de afeto a um membro do sexo oposto em público (muito menos do mesmo sexo!). Pessoas foram presas por se beijarem em público e isso não é tolerado de forma alguma na sociedade do Bahrein. Sempre evite qualquer tipo de confronto e nunca se envolva em discussões, especialmente com um nativo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Baku


Nome oficial: Bakı
Capital do: Azerbaijão
População: 2.212.000
Idioma: azeri

Baku também é conhecida como Bakı ou Baky. É a maior cidade da região do Cáucaso e a capital do Azerbaijão. Baku fica na costa do Mar Cáspio, na península Absheron. A cidade possui três grandes subdivisões: İçəri Şəhər (cidade antiga), a cidade construída pelos soviéticos, e a parte mais nova da cidade. A população passa dos dois milhões. Em 2012, a cidade ganhou mais notoriedade por sediar o Eurovision Song Contest, após o país ter vencido o mesmo no ano anterior na cidade de Düsseldorf, Alemanha.


Como é o clima lá?
Um fato curioso sobre Baku é que a temperatura média anual da cidade (14,2°C) é exatamente a mesma temperatura média de todo o planeta, até mesmo na casa dos decimais. Os verões são quentes e úmidos, os invernos um pouco frios, com chuva e vento. Entretanto, as variações de temperatura não são tão grandes quanto em outros pontos da Terra nesta mesma latitude (40°N), devido ao Mar Cáspio.


Como chegar lá?
O Aeroporto Internacional Heydar Aliyev serve a cidade de Baku, situado a 25km do centro. Várias companhias aéreas de grande porte voam para lá; do Brasil os dois melhores modos e mais rápidos de se chegar a Baku são: pegar um voo da Qatar Airways para Doha (Qatar) e fazer conexão direta para Baku, ou então um voo da Turkish Airlines para Istambul (Turquia) e fazer também conexão direta. Outras grandes empresas que voam para lá são a Aeroflot (Rússia), Austrian Airlines (Áustria), BMI (Reino Unido) e Lufthansa (Alemanha). Os voos mais baratos, dentro da Europa, são os da Aeroflot, partindo de Moscou (Rússia). A Air Baltic também oferece voos com bons preços (saindo de Riga, na Letônia).


Existe algum jeito de se chegar lá de trem?
Sim e não. É um assunto complexo, e aqueles que gostam de viajar de trem terão um pouco de problemas para chegar no Azerbaijão dessa forma. Existem trens (daqueles com cabines) que saem da Rússia e Ucrânia regularmente. De Moscou são 60 horas e três saídas por semana, por exemplo. Uma vez por semana há uma saída de São Petersburgo (Rússia), com duração de 70 horas. Outras cidades possuem frequências menores, como Novosibirsk (80 horas) e Yekaterinburg (75 horas). Saídas de Kiev (Ucrânia) ocorrem todos os sábados. Em algumas ocasiões há saídas da Bielorrússia, das cidades de Brest (81 horas) com parada na capital, Minsk (76 horas de Baku). Mas então: a fronteira entre a Rússia e o Azerbaijão é fechada para aqueles que não são cidadãos de um dos países da CEI (Comunidade dos Países Independentes), ou seja, as antigas nações do bloco soviético. Dessa forma, nada do dito acima vale para brasileiros.


Mas existe um jeito. Os estrangeiros podem pegar um trem de uma noite em Tbilisi, capital da Geórgia, país vizinho ao Azerbaijão. Os trens partem três vezes por semana e a jornada dura 17 horas. O trem faz paradas em Lankaran, Sheki, Xachmaz e Ganja (todas no Azerbaijão). Além disso, os trens domésticos no Azerbaijão são muito baratos, custam menos do que uma noite de hostel. De ônibus, existem linhas internacionais para o Irã, Turquia, e também a partir de Tbilisi. Microônibus conectam os principais pontos do país também. Por último, não é uma alternativa recomendada, mas fica aqui somente para declarar que existe: existem ferry boats internacionais para se chegar ou sair de Baku, pelo Mar Cáspio, mas são infrequentes e saem em dias irregulares, aproximadamente a cada 7 ou 10 dias. Os barcos vão para a Rússia, Irã, Cazaquistão e Turcomenistão. Em alguns desses barcos não há comida ou qualquer conforto para passageiros.


E como andar pela cidade?
Baku é uma ótima cidade para se andar de bicicleta. Com exceção da parte mais alta da cidade, as outras regiões são bem planas, incluindo o centro e a cidade antiga. Entretanto, a cidade não possui ciclovias e as bicicletas se misturam pelas ruas estreitas. Existe um serviço de aluguel de bicicletas chamado MyBike. É necessário um bom cadeado. E existe burocracia, acredite. É bom levar o passaporte e dados do hotel. Bom, e o metrô é o modo mais barato de se locomover em Baku. Funciona como um metrô normal, com um cartão onde você carrega os créditos. Os funcionários normalmente são receptivos com turistas (normalmente quando falam em azeri ou russo, vá lá) mas existem relatos de pessoas que foram presas quando estavam tirando fotos das estações do metrô. Tome cuidado então.


Então precisa falar a língua deles?
É aconselhável. O inglês e o russo são falados em vários locais em Baku, mas o melhor é levar um livrinho com frases de comunicação básica em azeri e treinar um pouco de azeri (ou turco e/ou russo) antes de ir. Entretanto, em torno de 80% da população ao menos entende russo, e em torno de metade da população com menos de 35 anos fala pelo menos um pouco de inglês. Na maioria das lojas, restaurantes e bares provavelmente não haverá muito problema em se comunicar em inglês.


O que tem pra se ver por lá?
Existem muitos lugares interessantes para se visitar dentro da fortaleza de Baku, a Cidade Antiga, patrimônio da UNESCO, que podem ser vistos a pé em um dia: o Palácio de Shirvan Shahs, da Idade Média, considerado o principal atrativo turístico em conjunto com a Giz Qalasi, uma torre misteriosa e excêntrica construída entre os séculos 7 e 12. Fora da cidade, existe o Templo Atashgah do Fogo e Yanar Dagh, uma montanha que está continuamente pegando fogo por mil anos. As reservas de gás na montanha asseguram que o fogo permaneça aceso mesmo quando chove!


Do que eles vivem?
A maior indústria de Baku é a do petróleo, e as exportações de petróleo contribuem muito para o orçamento do Azerbaijão. Sabe-se da existência do petróleo na região desde o século 8. No século 10, um viajante árabe, Marudee, contou que tanto petróleo negro e branco estavam sendo extraídos de Baku. No século 15, óleo para lamparinas era cavado com as mãos no chão. A exploração comercial começou em 1872, e já no início do século 20 os campos de petróleo de Baku eram os maiores do mundo. No final do século 20, grande parte das reservas em terra firme se extinguiram e as perfurações começaram no mar. Durante o século 19, muitos trabalhadores e especialistas foram para Baku. Em 1900 a cidade possuía mais de 3 mil poços de petróleo, sendo que dois mil desses produziam o produto a nível industrial. Antes da Segunda Guerra Mundial, Baku era um dos principais centros de produção de petróleo no mundo. A Batalha de Stalingrado ocorreu para determinar quem teria controle sobre os campos de petróleo de Baku. Cinquenta anos antes da guerra, Baku produzia metade do suprimento de petróleo de todo o mundo.


Como é a infraestrutura para os turistas e a segurança?
Baku é considerada uma cidade segura, mas é claro que bom senso é encorajado como em qualquer cidade grande. Os mendigos não abordam ou atacam as pessoas e não existe problema algum em ficar próximo deles. O grande problema de Baku é o trânsito, direção perigosa. Muitos motoristas não obedecem as leis de trânsito e realmente aceleram.


Baku é um dos destinos mais importantes do cáucaso; os hotéis na cidade lucraram 7 milhões de euros em 2009. Muitas redes de hotéis internacionais estão presentes na cidade. Baku possui muitos locais populares para os turistas, o mais novo sendo inaugurado em 2010, a Praça da Bandeira Nacional, tornando Baku o local com o mais alto mastro de bandeira do mundo, de acordo com o Guinness. Baku possui vários shopping centers, lá existindo lojas de várias redes conhecidas e de grifes. A cidade é listada como a 48ª mais cara do mundo (na lista de 2011). A rua Nizami é uma das mais caras do planeta.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Antígua e Barbuda


Nome oficial: Antigua and Barbuda
País independente da: América Central
População: 81.799
Idioma: inglês, crioulo antiguano

Antígua e Barbuda é um país independente composto por, principalmente, duas ilhas situadas no Mar do Caribe. O nome da nação se consiste no nome de cada uma das duas ilhas principais: Antígua (a maior) e Barbuda (a menor). A capital e maior porto do arquipélago é St. John's, na ilha de Antígua. O país possui o apelido de "Terra das 365 Praias", devido às muitas praias que cercam as ilhas. Seu governo, língua e cultura tiveram muita influência do Império Britânico, do qual o país já fez parte.


Como é o turismo lá?
Antígua é, talvez, a ilha que mais exemplifica o modo de vida moderno de um destino no Caribe. Com poucos outros recursos naturais, o turismo domina a economia local em ambas as ilhas. Há uma fartura de praias de areias brancas, e em Antígua o que não faltam são resorts da mais alta categoria. Barbuda também tem as boas praias, mas pouca infra-estrutura turística.


Do que mais eles vivem?
Bancos de investimentos e serviços financeiros também são parte importante da economia de Antígua e Barbuda, com muitos bancos estrangeiros marcando presença lá, tirando vantagem das leis bancárias liberais do país. Mas isso tudo pode mudar, em consequência da prisão do bilionário texano baseado em Antígua, Allen Stanford, acusado de perpetrar uma enorme fraude que pode ter feito os investidores perderem US$ 8 bilhões, em 2009.


Qual a história do lugar?
O arquipélago foi habitado por volta de 3.100 a.c. pelos ameríndios Siboney. Os indígenas que lá viviam sabiam construir embarcações muito bem e navegavam pelo Caribe e Atlântico, conseguindo colonizar outras terras, como grande parte da América do Sul e do Caribe. As doenças africanas e europeias mataram grande parte da população, provavelmente a maior delas foi o sarampo. Acredita-se que o nome Antígua tenha sido dado por Cristóvão Colombo, navegando pelas ilhas em 1493, chamando-a de Santa Maria la Antigua por causa de uma santa na catedral de Sevilha (Espanha). Os espanhóis não colonizaram Antígua pois não havia água doce no local.


A educação lá é boa?
A população de Antígua e Barbuda possuem uma taxa de alfabetização de mais de 90%. O país adotou um princípio nacional de se tornar o principal provedor de serviços médicos no Caribe. Como parte dessa missão, o arquipélago construiu o hospital com tecnologia mais avançada do Caribe, o Mt. St. John Medical Centre. A ilha de Antígua tem hoje duas faculdades de medicina, a American University of Antigua (AUA), fundada em 2004, e a University of Health Sciences Antigua (UHSA), fundada em 1982.


Como é a cultura das ilhas?
A cultura é predominantemente britânica. Por exemplo, o críquete é o esporte nacional e Antígua tem vários jogadores famosos no mundo. Outros esportes populares incluem o futebol, corrida de barcos e surfe. A cultura popular e moda americanas também possuem grande influência. A maior parte da mídia no país é uma mescla das televisões americanas. Muitos antiguanos gostam de viajar para San Juan, em Porto Rico, para fazer compras. Para eles, a família e religião são muito importantes e a maioria das pessoas frequenta uma igreja. Em agosto acontece o Carnaval, onde comemoram a abolição da escravatura.


Como chegar lá?
A maioria dos navios que fazem as rotas caribenhas aportam em Antígua e Barbuda. De avião, o Aeroporto Internacional V.C. Bird serve a capital St. John's e possui voos chegando de vários destinos: Canadá (Toronto), Estados Unidos (Miami, Nova York, Newark, Charlotte), Porto Rico, Reino Unido (Londres), além de outros destinos no Caribe, sendo para quem vai do Brasil, o mais prático é ir a Barbados (que tem voo de São Paulo via Caracas pela Gol) e de lá fazer conexão direta pra Antígua e Barbuda. A companhia aérea LIAT, da região, é a que mais voa para diferentes destinos a partir de St. John's.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Cobh


Nome oficial: Cobh (ou an Cóbh)
Cidade da: Irlanda
População: 12.347
Idioma: irlandês e inglês

Cobh é uma pequena cidade portuária no condado de Cork, sudoeste da Irlanda. Na era de ouro das viagens em transatlânticos, a cidade era o primeiro e/ou último porto na Europa para os navios - claro que seu mais famoso visitante foi o Titanic, em 1912, que depois de parar em Cobh só pararia no fundo do oceano. Em consequência a isso, a cidade desempenhou um papel fundamental no capítulo da imigração irlandesa para a América.


Mas o Titanic não tinha aportado em Queenstown?
No início, a cidade era simplesmente conhecida como "the Cove of Cork" e começou sendo um pequeno vilarejo pesqueiro mas começou a crescer rapidamente quando os britânicos estabeleceram fortificações navais na região durante as Guerras Napoleônicas. Mais tarde, se tornou o maior porto de emigração do país, com mais de 1,5 milhão de emigrantes passando por seu porto em direção a uma nova vida, a maior parte deles indo para a América do Norte. Em 1849, a cidade foi renomeada como Queenstown por causa de uma visita da rainha Vitória ao local, mas em 1920, durante a guerra pela independência da Irlanda, a cidade adotou a versão em gaélico de "cove" e Cobh se tornou o nome da cidade.


Como se chega lá?
Cobh fica em uma ilha no porto de Cork, e é conectada por uma ponte a outra ilha (Fota) que, por sua vez, é conectada à ilha principal da Irlanda. Pode-se chegar em Cobh por trem, a única linha que sai de Cork e há também um ferry boat que sai de Kinsale, a 40km de distância. O barco leva automóveis mas cuidado pois existem poucas indicações e é possível se enganar: o outro barco vai para a França. Cobh é interligada ao sistema de estradas e ferrovias que levam até Dublin, capital da Irlanda. O aeroporto mais próximo é o de Cork e possui voos para vários países, principalmente com as companhias Aer Lingus e Ryanair.


E qual a história do Titanic por lá?
Cobh, como um dos principais portos transatlânticos, foi o ponto de partida de milhões de irlandeses que emigraram para a América do Norte entre 1848 e 1950. Em 11 de abril de 1912, a então Queenstown era o último porto do RMS Titanic antes de ele cruzar o Atlântico em sua malfadada viagem inaugural. O navio foi assistido pelo PS America e pelo PS Ireland, dois rebocadores antigos da White Star Line, assim bem como por várias outras pequenas embarcações que carregavam bagagens da primeira classe. 123 passageiros embarcaram no Titanic em Cobh, mas somente 44 sobreviveram ao naufrágio. Hoje o navio mais famoso do mundo é lembrado na cidade com um memorial.


E não foi só o Titanic.
Um dos navios mais famosos do mundo, de propriedade da Cunard, rival da White Star Line (que construiu o Titanic), é o Lusitania. Ele também esteve envolvido com Cobh em sua tragédia. O navio foi afundado por um U-Boat alemão bem próximo a Cobh. O navio estava na rota para Liverpool em 7 de maio de 1915. Quase 1.200 passageiros morreram e 700 foram resgatados. Os sobreviventes e vítimas foram trazidos para a cidade de Cobh e mais de cem deles estão hoje enterrados no antigo cemitério da igreja na cidade. O Memorial da Paz do Lusitania fica em uma praça da cidade.


O que tem pra se ver lá?
A paisagem é dominada pela Catedral de St. Colman, uma estrutura neo-gótica que possui uma vista bonita do porto; no The Queenstown Story, você poderá ver documentos sobre a emigração e história da cidade, incluindo o período da Grande Fome e, é claro, do Titanic; e por falar nisso, os Titanic Trail Tours duram até uma hora e meia e explicam a história do Titanic em Cobh, e o preço do passeio guiado inclui até uma pint de cerveja no pub; se quiser continuar a ver atrações turísticas fúnebres, vá ao Antigo Cemitério da Igreja, onde estão os túmulos coletivos das vítimas do Lusitania.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Åland


Nome oficial: Åland ou Avhenanmaa
Arquipélago da: Finlândia
População: 28.355
Idioma: sueco

Åland é uma região autônoma no Mar Báltico, e se consiste em uma ilha principal e um arquipélago no seu entorno. Legalmente, faz parte da Finlândia, mas na prática as ilhas têm sua própria administração e os hábitos de vida, mentalidade e tudo o mais são suecos. Åland possui bandeira própria, com a tradicional cruz escandinava.


Mas o que é a "autonomia"? 
O status de autonomia das ilhas foi afirmado em uma decisão feita pela Liga das Nações em 1921, logo após a chamada "crise de Åland", quando os habitantes do arquipélago queriam a autodeterminação mas a Finlândia se recusava a concedê-los a independência. Porém, no final, foi assegurado a Åland o direito de manter sua própria cultura e costumes, e a Finlândia não iria impor seu modo de vida ou dominação cultural ao pequeno arquipélago. Em suma, poderiam continuar sendo "suecos".


No final das contas, como eles se governam? 
Algumas leis e tratados garantem a Åland sua autonomia da Finlândia que, entretanto, tem a soberania final sobre o arquipélago. Åland é uma região desmilitarizada, ou seja, não possui forças armadas. O Governo de Åland (Landskapsregering) responde ao Parlamento de Åland (Lagting), de acordo com os princípios do parlamentarismo. Åland possui sua própria bandeira (foto acima), e emite seus próprios selos postais desde 1984, possui sua própria polícia, e faz parte do Conselho Nórdico - união de nações composta pelos cinco países nórdicos independentes (Dinamarca, Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia), além de três membros associados (Groenlândia, Ilhas Faroe e Åland) e também três estados observadores (Estônia, Letônia e Lituânia).


Além disso, Åland possui desde 2005 sua própria companhia aérea, a Air Åland, que possui voos servindo a principal cidade do arquipélago Mariehamn, indo para Helsinque (Finlândia) e Estocolmo (Suécia). Em 2012, as operações da companhia passaram a ser feitas pela sueca NextJet. Como já dito antes, as ilhas são desmilitarizadas, e a população é isenta de prestar o serviço militar. Åland tem o direito garantido de representação no parlamento finlandês, para o qual eles elegem um representante. Nas ilhas eles possuem um sistema partidário diferente da Finlândia também. O ensino dos filhos em casa, conhecido como homeschooling, foi banido pelo governo sueco em 2011, mas é permitido pelo governo finlandês. Em consequência a isso e também pelo fato de sua proximidade com a Suécia e pelo povo falar sueco, muitas famílias suecas se mudaram para o arquipélago de modo que seus filhos pudessem continuar se beneficiando do sistema de homeschooling.


Do que vivem as pessoas lá?
A economia de Åland é completamente dominada pelo transporte comercial de cargas, comércio e turismo. O movimento de cargas corresponde a 40% da economia, com várias empresas de carga internacionais operando (se não de propriedade) em Åland. A maior parte das outras empresas que não lidam com cargas é pequena, geralmente com menos de dez empregados. A agricultura e pesca também são importantes, em conjunção com a indústria de alimentos. Existem também algumas poucas empresas de tecnologia de ponta, mas que contribuem imensamente para a economia. A produção de energia eólica cresce rapidamente, sendo que, ao final de 2011, esse formato de produção elétrica respondia por 31,48% do total produzido em Åland. A moeda oficial é o euro, mas a coroa sueca (krona) circula livremente por lá.


E nessa confusão, que língua eles falam?
Em Åland se fala sueco... é o que se diz. Mas a Finlândia sustenta que eles são bilíngues. Apesar de o finlandês ser uma disciplina opcional nas escolas, a maioria dos habitantes de Åland escolhe não estudar o idioma. Muitas placas podem ser vistas escritas em finlandês e sueco (e até mesmo em inglês). E para que você saiba, a comunicação entre os finlandeses que não falam sueco e com os habitantes de Åland é feita em inglês, que é amplamente falado no arquipélago, inclusive por muitos idosos, então se prenda no inglês caso você não entenda nada de sueco ou outra língua escandinava (lembrando que o finlandês não é uma língua nórdica ou escandinava).


Como chegar lá?
Existem muitas conexões de ferryboat entre Åland e a Suécia ou Finlândia. Especialmente por questões fiscais, os barcos que fazem a rota de Helsinque para Estocolmo todos param em Mariehamn (Åland), e esse é o modo mais fácil e mais barato de se chegar lá (apesar de alguns horários de chegadas serem bem inconvenientes, no meio da noite). Como já mencionado anteriormente, Mariehamn possui um pequeno aeroporto com voos para a Suécia e Finlândia. De Helsinque, o voo dura menos de uma hora e de Estocolmo, ainda menos - meia hora.


O que tem para se ver lá?
Alguns locais turísticos estão abertos somente durante o final da primavera e durante o verão. Em Åland você pode ver o Kastelholm, um castelo que hoje parcialmente está em ruínas, mas foi fundado na década de 1380 e casa de muitos reis suecos que comandavam o reino conjunto da Suécia e Finlândia de lá; o museu a céu aberto Jan Karlsgarden, muito próximo ao castelo, possui várias construções tradicionais de Åland trazidas de outras partes do arquipélago; a fortaleza de Bormarsund, construída pelos russos no século 19, foi arruinada durante a Guerra da Crimeia, atacada por ingleses e franceses. Do outro lado do canal há um museu com artefatos da fortaleza, ao lado da ponte Prästö; passeios de bicicleta são muito populares em Åland e as ilhas são um local muito agradável para a prática do ciclismo, e parte pois grande parte dos locais é bem plano; andar de carro é bem simples, as estradas são excelentes, mas o melhor é fazer uma reserva de automóvel antes de chegar lá, em Estocolmo ou Helsinque; e andar de ferryboat entre as ilhas é um passeio inesquecível. Entretanto, viagens entre um porto e outro só podem ser feitas se você passar ao menos uma noite no destino.


O que comprar lá?
Fazer compras em Åland geralmente é bem caro. A maioria dos produtos tem que ser importada, e muitas vezes eles mesmos têm problemas de reposição de estoques. Os preços estão entre os mais altos da União Europeia, em torno de 10% a 50% mais altos que em Estocolmo ou Helsinque, por exemplo. Os preços em alguns mercadinhos podem ser ainda mais altos. No distrito marítimo de Mariehamn, há uma loja com uma boa seleção de artesanatos, incluindo trabalhos em tecido e vidro, todos feitos em Åland. Além disso, o arquipélago possui serviço postal e selos exclusivos, sendo estes um souvenir bem barato - os correios podem ser encontrados em Mariehamn e nos outros principais vilarejos. Em geral, é um tanto quanto difícil comprar souvenirs em Åland. O arquipélago não é muito divulgado para turistas de outros países que não os vizinhos e há somente uns poucos itens típicos como chaveiros, cartões postais e canecas. Algumas lojas ao longo de Torggatan, no centro de Mariehamn, possuem esse tipo de souvenir, assim bem como museus e alguns dos mercados maiores. Fica também a dica da cerveja local e os licores de maçã.